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O Enredo no Samba: Estrutura discursiva
A Caprichosos incursiona mais uma vez acertadamente no enredo biográfico; desta vez reverenciando um ícone popular, Xuxa meneghel, ídolo de pessoas de todas as idades.
O enredo de homenagem a personalidades indiscutivelmente estimadas pelo povo são sempre favoráveis às agremiações, visto que conquistam de imediato a simpatia da platéia do Sambódromo, causada pela expectativa e euforia de fãs e do público em geral ante a presença do artista.
O samba-enredo apresenta a homenageada pelos olhos de um narrador-personagem, obedecendo a uma seqüência cronológica, ainda que sugerida, da carreira (modelo/apresentadora/cantora/atriz) e da vida pessoal de Xuxa (gravidez).
Enfim, um samba-enredo animado, de melodia fácil e com refrões contagiantes.
O Samba no Enredo: Estrutura lingüística
A introdução do samba apresenta o enredo de forma não seqüencial, ou seja, nos quatro primeiros versos temos palavras e expressões aparentemente desconexas mas que fazem menção a itens do tema do enredo. Constitui-se, com efeito, na proposição peculiar de textos de louvação, em que se apresenta, antecipadamente, o tema da louvação: “Xuxa, ‘Caprixosos', carnaval”.
A seguir, a narração toma forma linear, seqüencial, a partir do nascimento da apresentadora, sua carreira, sua gestação e a chegada da artista na Avenida. O último refrão reproduz, com exatidão, o sentimento do povo brasileiro, que se curva de amores aos encantos da homenageada.
Os compositores deram ênfase à simplicidade do texto, empregando linguagem coloquial (tô, tá, se vestir) e frases curtas que transmitem o essencial do percurso profissional e de vida de Xuxa, em uma letra de fácil memorização.
Há um tom de intimidade do narrador em 1a. pessoa que permeia a estrutura do samba, como se Xuxa fosse uma pessoa bastante próxima e fizesse parte da vida de todos naturalmente.
Como de praxe, algumas palavras e expressões presentes na composição são provenientes da sinopse: Santa Rosa, menina, reino encantado, nave, e fazem referência ao linguajar da apresentadora, a seus programas, filmes e música: “o cara lá de cima”, “oi, gente!” / “”Xou” da Xuxa, “Lua (...) de cristal”, “Ylariê”, “Tira o pé do chão”.
Para imitar o vocabulário fonético-ortográfico que teve seu auge durante o programa “Xou da Xuxa”, os compositores brincaram com palavras com som de X mas que se escrevem com CH com o intuito de aludir ao fato de forma implícita apenas para quem lê a letra do samba:
“Xuxa, Caprixosos, carnaval”
“Se a vida é um xou”
“Se vestir de azul e branco e caprixar”
Quanto à pontuação, o emprego de reticências, vírgulas, pontos de exclamação neste samba se fazem primordiais porque introduzem a constituição melódica dos versos subseqüentes, marcando também pausas bem definidas:
“Pilares é festa... já tô”
“O baixinho sorriu, a rainha surgiu”
“Ah! O filme passa e vem a emoção”
Importante salientar a extensão melódica dada no alongamento da pronúncia de algumas palavras da composição:
Pilares é festa... já tôôô
Em Saaanta Rosa
Tá no ar a magia de viiiver
É missão concebeeer
A criança é o amanhããã
Batam palmas, ela já cheeegou
Convém ressaltar que a poderosa voz e a iluminada interpretação de Jackson Martins transforma este samba de letra fácil e melodia simples em um samba-enredo alegre e vigoroso.
Bibliografia:
- “Enredos – Rio
Carnaval 2004” , da LIESA.
- “Para Tudo Não Se Acabar Na Quarta-Feira – A Linguagem do Samba-Enredo” – Julio Cesar Farias
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