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As cartas não mentem
jamais
Sinopse:
A pergunta foi feita.
Embaralhe. Agora corte. Escolha suas cartas. Prepare-se para a verdade.
As cartas não mentem jamais! Jovem e guerreira, a União do Parque
Curicica, unida por um sonho comum, pergunta à cigana: “quando vai
chegar a hora de gritar 'É Campeã'?”. O destino arma-se a sua frente e
lança o desafio: “és mesmo capaz de fazer merecer seu desejo”?
Bravamente a comunidade se agarra a seu padroeiro São Jorge para que ele
abra as portas da avenida e abençoe todos os foliões que agora
desfilarão em busca do tão almejado sonho. Sorte ou desventura? O jogo
está na mesa.
Ávida por
revelar a desafiadora profecia, a Escola pergunta: “de onde vieram as
cartas? De quando vieram? Pra onde vão nos levar?” Chineses, egípcios,
indianos, árabes... viajantes. Cada povo com seu baralho, seus naipes,
sua cultura. Sagrado oráculo, profana sedução. As caravanas difundiram
as cartas ou as cartas difundiram as caravanas mundo afora? Ninguém sabe
ao certo. Só se sabe que trilharam misteriosas vias, cruzaram terras e
mares, rasgando séculos e fronteiras, tendo fundado assim, entre
diversos baralhos, o poderoso jogo dos caminhos – o Tarot – traçando o
elo entre o passado, presente e futuro.
O mundo não pára de avançar
e com ele a busca pelo poder, prazer e diversão. E em terras européias
uma pista foi dada. Às ordens do rei francês Carlos IV surgiram
verdadeiras obras de arte sobre cartas: o clero se tornou Copas; a
nobreza e a burguesia, Ouros; o exército, Espadas; o povo, Paus; loucos
e artistas, Curingas. E neste reino de pintores e profetas verdadeiros,
os verdadeiros charlatões ganham as ruas, mas a sabedoria e a voz do
povo continuam sendo a voz de Deus.
Mas o
mistério continua. Só resta segurar firme o amuleto! A roda da fortuna é
quem escolhe os agraciados e os desafortunados. Quem tem fé e é
guerreiro pode apostar que está protegido e sabe que o revés tem que ser
carta fora do baralho. Façam suas apostas! Mas lembrem-se: para alguém
ganhar, alguém tem que perder. Quem vai pagar pra ver? "O jogo é um
corpo-a-corpo com o destino", dizem por aí. O amor e a ambição
enfraquecem com a idade, mas o jogo floresce quando tudo o mais passa.
Os senhores e senhoras jogam seu truco na praça, onde a jogatina dos
malandros domina as mesas de botequim. Nos grandes salões o verde
cintilante das mesas de carteado e as infinitas luzes das recheadas
máquinas tornam-se os principais conselheiros. Quem consegue domar “os
encantos das sereias das cartas“ se diverte e não fica inerte. Atenção:
o jogo é reluzente como o ouro que seduz, mas pode cegar.
É de criança que se aprende
a jogar, perder e ganhar. O real e o fantástico se misturam e, na
seriedade da brincadeira, só é herói quem compete com respeito e
lealdade. “Qual é o seu super poder? Eu hoje represento a fantasia!” A
sorte já parece estar mais próxima. Nas ruas, a mágica preenche o
dia-dia de alegria, que arrepia e surpreende. Das mangas saem cartas e
da cartola, encantamento. Agora está claro, não dá mais para esconder!
Abracadabra! O grande sonho agora nasce de onde antes brotava coelho. E
o sorriso no emocionado olhar do folião confirma: “Sou um “Ás” do
carteado, é das cartas o meu guia, sou Curicica e jogo em União. A
profecia estava certa – as cartas não mentem. Chegou a hora de gritar É
CAMPEÃO!”.
(Rio
de Janeiro, 01 de junho de 2011.)
Felipe Herzog, Diogo Villa Maior e Raquel Winter |